SAÚDE

Hoje é Dia: semana traz reflexão sobre a luta antimanicomial

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Dois eventos no ano de 1987, com caráter de conscientização e luta, garantiram uma data oficial para reflexão sobre saúde mental. Esse é um dos principais temas do Hoje é Dia desta semana.

Aqueles eventos ajudaram a amadurecer entre os profissionais da área de que era necessário virar a página de todo o tipo de violações ocorridas em manicômios contra pacientes com transtornos psiquiátricos. Naquele ano, entre 25 e 28 de junho, a 1ª Conferência Nacional de Saúde Mental (confira aqui relatório final) celebrava a proximidade de uma nova Constituição e propunha políticas de humanização no tratamento dos pacientes. “A definição de uma pessoa como ‘perigosa’ não deve ter o caráter de definitivo julgamento. Sua elaboração deve estar subordinada aos objetivos de uma sociedade democrática, justa, igualitária e capaz de garantir os direitos humanos fundamentais”, apontava o documento. 

Também em 1987, entre os dias 3 e 6 de dezembro, a cidade de Bauru (SP) sediou o 2º Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental, onde é criado o Movimento Nacional de Saúde Mental. “Ao recusarmos o papel de agente da exclusão e da violência institucionalizadas, que desrespeitam os mínimos direitos da pessoa humana, inauguramos um novo compromisso”, apontava a Carta de Bauru, documento gerado ao final do evento.

Foi por esse congresso que foi levada a proposta de marcar o dia 18 de maio como o Dia da Luta Antimanicomial Outro marco ocorreu, no ano  2000, com uma lei antimanicomial.

As temáticas sobre saúde mental podem ser visitadas no acervo dos veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), incluindo a série de avanços, como é a implantação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), no país. A Agência Brasil publicou, em 2020, um mapa interativo dos locais para atendimento de pacientes psiquiátricos.

O Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, também já investigou, em 2015, o passado de violações, como ocorreu no Hospital Colônia, em Barbacena (MG). O programa teve o título de “Loucura e liberdade”. A unidade, criada em 1903,  ficou conhecida como o maior manicômio do Brasil e onde, pelo menos, 60 mil pessoas perderam a vida em um cenário de desrespeito aos direitos humanos. Assista:

As violências e crimes cometidos em Barbacena voltaram a ser abordados pela TV Brasil, em 2017. O programa Trilha das Letras entrevistou a jornalista Daniela Arbex, que escreveu o premiado livro Holocausto Brasileiro (2016). Ela explica como investigou o tema, entrevistou vítimas e recuperou histórias difíceis de lembrar. Confira:

Nas Rádios EBC, o programa Na Trilha da História abordou a evolução do conceito de loucura, dos diagnósticos e dos tratamentos psiquiátricos. Ouça o episódio completo:

Arte como terapia

A semana reserva também uma outra data (dia 20) de marco revolucionário por uma nova forma de atendimento a pacientes psiquiátricos. Há 70 anos, foi implantado o Museu de Imagens do Inconsciente, com trabalhos produzidos por pessoas atendidas pela equipe da médica alagoana Nise da Silveira, no Rio de Janeiro.

A psiquiatra criou em 1946, no Centro Psiquiátrico Nacional, Rio de Janeiro, a Seção de Terapêutica Ocupacional. Como terapia de atendimento, ela estimulava que as pessoas produzissem pinturas e modelagens a fim de que a equipe de saúde compreendesse o mundo interno dos pacientes. “A produção desses ateliês foi tão abundante que em 1952 nasceu o Museu de Imagens do Inconsciente”, conforme divulga o site do espaço cultural.

Aliás, se há uma consolidação das ideias antimanicomiais e de violações humanas, o país deve à sabedoria da médica Nise da Silveira.  (assista aqui ao programa Estúdio Móvel sobre a história da médica).

A profissional se contrapôs aos eletrochoques e lobotomias feitos à época, e passou a investir em arte para tratar os pacientes, com resultados reconhecidos pela medicina internacional. 

Uma de suas parceiras em sua equipe foi a enfermeira Ivone Lara que, depois de aposentada, iria se tornar também uma sambista consagrada.

Para conhecer o legado imensurável que Nise deixou, visitantes podem conhecer o Museu do Inconsciente, com obras produzidas pelos pacientes de Nise da Silveira.

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Conheça abaixo o Museu do Inconsciente

As descobertas de Nise da Silveira resultam em iniciativas e estudos até hoje. O programa Viva Maria, da Rádio Nacional, por exemplo entrevistou a professora de história Meri Nildes, que trabalha com alunos na Rádio Revolução, no Rio de Janeiro, com programas apresentados por pacientes de saúde mental.

Ouça abaixo 


Ouça acima entrevista com a professora Meri Nildes.

Museus

Além do Museu do Inconsciente, a semana tem programações especiais para celebrar a história e o patrimônio público. A quarta-feira é Dia Internacional dos Museus. Por isso, diferentes espaços públicos abrirão suas portas para celebrar a semana inteira. 

A visita a um museu expande conhecimentos de um povo. A TV Brasil mantém acervo de vídeos sobre histórias e estruturas de museus em todo o país. O Brasil possui quase 4 mil museus com os mais diversos enfoques como história, arqueologia, artes e ciência.  

O programa Ciência é Tudo tratou da importância dos museus como representação e identificação da história de um povo. Confira abaixo 
 

 

Identificação

Por falar em identificação cultural, neste domingo é Dia da Latinidade Inclusive, a Rádio Animada veiculou conteúdo especial sobre o tema no ano passado. Na alma da arte brasileira, outro ícone que deve ser lembrado neste ano é o músico João da Baiana (ouça sobre o artista no Clube do Vinil), que nasceu há 135 anos. Ele é considerado como o introdutor do pandeiro no samba.

No campo da fé, o dia 19 de maio é também um marco com a canonização de Madre Paulina. A religiosa foi fundadora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição em Nova Trento (SC), em 1895. Ela foi reconhecida como responsável pela cura de Eluíza Rosa de Souza, moradora de Imbituba, município do sul catarinense, que sobreviveu às complicações decorrentes da perda de um bebê no sétimo mês de gravidez.

Conscientização

Nesta semana, ainda, há uma data (dia 18) sobre uma questão muito séria, e que é lembrada o mês inteiro. O Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes inspira o Maio Laranja

A data refere-se a um crime ocorrido em 1973, com uma menina de 8 anos de idade, chamada Araceli, em Vitória (ES). Ela foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada. Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado e os seus agressores nunca foram punidos (saiba mais sobre a data). 

Em entrevista à Rádio Nacional, a psicóloga Leila Tardivo afirma que esse tipo de violência causa efeito devastador em crianças e também explica como observar sinais que elas podem trazer no dia a dia, mesmo que ela esteja silenciada.


Ouça mais sobre o tema acima 

Por que o mundo é assim…

O dia 19 celebra a atividade de um profissional que se indaga para descobrir mistérios do mundo. O Dia do Físico, na quinta-feira, foi criado em homenagem às publicações do alemão Albert Einstein (que, aliás esteve no Brasil em 1925) e revolucionou a academia com a teoria da relatividade. 

Para saber mais sobre o que fazem os físicos, o programa Ciência em Casa, de forma lúdica e didática, explica, por exemplo, como funcionam extintores e os isolantes térmicos. 

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados

15 a 21 de maio de 2022

15

Nascimento do compositor italiano Cláudio Monteverdi (455 anos) – considerado uma das personalidades mais influentes de toda a história da música do Ocidente

Morte do compositor, pesquisador, regente e professor paulista padre José Penalva (20 anos) – compôs música contemporânea de vanguarda, explorando tanto as linguagens sacra e secular quanto as antigas e novas

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Dia Internacional da Latinidade – comemoração de países latinos, instituída por representantes de 36 países latinos, com o fim de preservar as diferentes identidades nacionais e suas comunidades linguísticas e culturais

Dia Internacional das Famílias – comemoração instituída pela ONU

16

Dia Internacional das Histórias de Vida – data criada pela Rede Internacional de Museus da Pessoa (Brasil, Portugal, EUA e Canadá) e o Center for Digital Storytelling (EUA)

17

Nascimento do compositor, jornalista e pesquisador fluminense Sérgio Cabral (85 anos)

Nascimento do sambista fluminense João da Baiana (135 anos) – tido como o introdutor do pandeiro no samba

Morte da cantora norte-americana Donna Summer (10 anos)

Dia Internacional de Luta contra a Homofobia e Transfobia – celebração para marcar a data de 17 de maio de 1990, em que a Organização Mundial de Saúde decidiu suprimir a homossexualidade como doença mental da lista de patologias registradas no Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Mentais

Dia Mundial das Telecomunicações e Sociedade da Informação, conhecido popularmente como Dia Mundial da Internet – instituída em 17 de maio de 2005, em uma Assembleia Geral da ONU na Tunísia, com o fim de destacar as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias para melhorar o padrão de vida dos povos e dos cidadãos

18

Nascimento do filósofo e matemático britânico Bertrand Russell (150 anos)

Nascimento do compositor, cantor, teatrólogo e poeta baiano João Cândido Ferreira, o De Chocolat (135 anos)

Nascimento do cantor estadunidense Perry Como (110 anos) – apresentador do programa de variedades The Perry Como Show, que foi um grande sucesso e estabeleceu-se como referência para o gênero, tornando-se um dos mais bem-sucedidos da história

Ataque e naufrágio do navio mercante brasileiro Comandante Lira (80 anos) – executado pelas forças do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, no primeiro ataque efetuado em águas territoriais brasileiras

Dia Internacional dos Museus – comemoração instituída em 1971 pelo Comitê Internacional de Museus, com o fim de sensibilizar o público para a importância dos museus em nossa sociedade atual

Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes – instituído no Brasil pela Lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000, para marcar a data da morte da menina brasileira Aracelli Cabrera Sanches Crespo, de 8 anos, violentada e assassinada de forma hedionda na cidade brasileira de Vitória, em 18 de maio de 1973

Dia Nacional da Luta Antimanicomial – comemoração do Brasil, que está oficializada por lei

19

Madre Paulina é canonizada pelo Papa João Paulo II (20 anos)

Dia do Físico – a data é uma alusão à 1905, quando o físico Albert Einstein publicou quatro artigos de grande impacto, incluindo sobre a Teoria da Relatividade

20

Nascimento da atriz paulista Lucélia Santos (65 anos)

Nascimento do padre e cantor paulista Marcelo Rossi (55 anos)

Morte do sambista fluminense Silas de Oliveira (50 anos) – autor de sambas-enredos clássicos da escola Império Serrano

Nascimento do escritor, anarquista e militante espanhol Diego Abad de Santillán (125 anos) – reconhecido teórico da Guerra Civil Espanhola e importante figura nos movimentos anarcossindicalistas da Espanha e da Argentina

Timor-Leste torna-se um estado independente (20 anos)

Romário marca o milésimo gol da carreira (15 anos)

Criação do Museu de Imagens do Inconsciente (70 anos)

21

Nascimento do cantor fluminense Roberto Frejat (60 anos)

Nascimento do rapper estadunidense The Notorious B.I.G. (50 anos) – considerado um dos maiores rappers de todos os tempos, foi assassinado por facção rival após ser supostamente acusado da morte do rapper norte-americano Tupac Shakur

Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento – comemoração instituída pela ONU na Resolução nº A/REC/57/249, de 20 de fevereiro de 2003

Dia da Língua Nacional

Edição: Nathália Mendes

Fonte: EBC Saúde

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SAÚDE

A cada hora, 3 brasileiros sofrem amputação de pernas ou pés

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No período de 2012 a 2021, 245.811 brasileiros sofreram amputação de membros inferiores, envolvendo pernas ou pés, uma média de 66 pacientes por dia, o que significa pelo menos três procedimentos realizados por hora.

O levantamento inédito foi feito pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), com base em dados do Ministério da Saúde. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da sociedade, Julio Cesar Peclat de Oliveira, afirmou que “o problema é que, quando a gente compara com os últimos anos, vemos que a situação vem piorando e, coincidentemente, com a pandemia de covid-19.”

Pela análise dos números, o médico interpretou que muitos pacientes perderam a continuidade do tratamento de doenças crônicas como, por exemplo, o diabetes, que é uma das principais causas de amputação de membros inferiores.

“É uma doença crônica e o tratamento tem de ser crônico, ou seja, não pode ser descontinuado”. Ele explicou que, quando a pessoa é diabética e não faz tratamento adequado e usa medicamentos, “ela descompensa a doença e fica mais vulnerável aos riscos de, por exemplo, ter uma ferida no pé que vai infectar e gangrenar, evoluindo com perda desse membro”.

Peclat de Oliveira afirmou que cerca de 70% das amputações são motivadas por uma pequena ferida ou calo no pé. Por isso, recomendou que o paciente diabético precisa ter disciplina rígida e fazer o autoexame diário, principalmente do chamado pé neuropático, caracterizado pela perda progressiva da sensibilidade.

“De maneira geral, o recado é que devem fazer o autoexame dos pés, principalmente o paciente diabético”. O médico recordou que muitos pacientes não sabem que são diabéticos. Muitos só vão se inteirar disso quando vão ao consultório tratar varizes, marcam cirurgia e o médico constata que seus níveis glicêmicos estão nas alturas.

“No mundo, uma em cada cinco pessoas não sabe que é portador dessa doença. A pandemia nos revelou isso. Muitos pacientes que chegam ao consultório ou aos serviços de urgência com complicações do diabetes só descobrem que a têm após o atendimento”, destacou.

O diabetes é uma doença muito ligada ao sedentarismo e à obesidade e vem aumentando, progressivamente, em todo o mundo, segundo o médico. Durante a pandemia, iniciada em 2020, as pessoas tiveram menos acesso às unidades de saúde e as doenças crônicas “foram maltratadas por conta disso”. Segundo ele, o tabagismo é outra grande causa de amputações de membros pelo entupimento de artérias.

Alerta

Para especialistas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, o aumento no número de amputações, durante o período da pandemia, é um alerta para as consequências da suspensão de tratamentos clínicos. “Os níveis estão alarmantes, realmente”, analisou o angiologista e cirurgião vascular. Outros fatores de risco incluem hipertensão arterial, dislipidemia, idade avançada, insuficiência renal crônica, estados de hipercoagubilidade e histórico familiar.

De acordo com a pesquisa, em 2020, quando a crise epidemiológica se instalou no Brasil, a média diária de amputações chegou a 75,64. Já em 2021, o número evoluiu para 79,19/dia. Entre 2020 e 2021, em torno de 56.513 brasileiros foram submetidos ao processo de amputação ou desarticulação de membros inferiores, o que significa uma média mensal de procedimentos de 2.354, em plena crise sanitária. Por dia, esse valor corresponde à média de 77,4 cirurgias.

Entre 2012 e 2021, o número de amputações subiu 56%. No ano passado, foi registrado o maior quantitativo de procedimentos (28.906), contra 18.908, no início da série. Pelos cálculos da SBACV, 2022 deverá mostrar elevação do total de amputações. O levantamento aponta que, pelo menos, 82,44 pessoas foram amputadas diariamente entre janeiro e março deste ano, com média mensal de 2.473 procedimentos.

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Por regiões, a sondagem apurou que entre 2012 e 2021, a região Sudeste respondeu por 42% de todas as amputações efetuadas no Brasil, somando 103.509 pessoas amputadas. Em seguida, aparecem o Nordeste, com 80.124; o Sul, com 35.222; o Centro-Oeste (13.514); e o Norte (13.442). “Os grandes centros têm maior demanda de pacientes e, talvez, unidades de saúde mais bem preparadas”, estimou o presidente da SBACV. Destacou ainda que além do diabetes e do tabagismo, outra causa significativa de amputações de membros inferiores no Brasil são acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motociclistas.

Por unidades da federação, a pesquisa revela que Alagoas foi o estado que mais apresentou alta no número de amputações (173%,) na comparação entre o início e o fim da série histórica, passando de 182 para 497 procedimentos. Também tiveram crescimentos significativos Roraima (160%), Ceará (146%) e Rondônia (116%). Em contrapartida, Amapá e Amazonas foram os únicos estados do país onde se observou queda no período, com reduções de 29% e 25%, respectivamente.

Em números absolutos, os estados que mais executaram procedimentos de amputações de membros inferiores no sistema público de saúde foram São Paulo (51.101), Minas Gerais (26.328), Rio de Janeiro (21.265), Bahia (21.069), Pernambuco (16.314) e Rio Grande do Sul (14.469). Já os estados com menor número de registros foram Amapá (315), Roraima (352), Acre (598), Tocantins (1.154) e Rondônia (1.383). O presidente da SBACV salientou que a possibilidade de o paciente sofrer uma amputação de membros inferiores independe da situação socioeconômica dele. “Se não tem aquela atenção em relação a seus pés, pode ser um paciente amputado”. Disse que as amputações se dão mais ao nível dos pés e dedos, podendo cortar também todo o anti pé, a perna abaixo do joelho e a perna no nível da coxa.

“E sempre que você faz uma amputação é na falência do tratamento clínico ou cirúrgico”. No caso de um tabagista inveterado, com entupimento da veia femural, por exemplo, se ele vai precocemente ao consultório com queixa de dor quando caminha, o médico consegue vascularizar a perna, leva sangue para o pé e resolve a situação do paciente. “O problema é quando esse paciente não chega nessa fase e procura o hospital público com gangrena no pé. Aí, já não se tem mais o que fazer. Salva a vida dele fazendo a amputação do pé ou da perna”. Peclat de Oliveira sustentou que tudo em medicina é prevenção. “Se você, ao menor sinal, faz a sua avaliação com um especialista, pode ser, simplesmente, diabetes descompensada de neuropatia”.

Próteses

Peclat comentou que pacientes submetidos a amputações, inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS), conseguem ter sobrevida muito parecida com pacientes normais, com qualidade de vida. O problema é que grande parte dos pacientes amputados são idosos e fumantes, ou seja, não têm uma reserva cardiopulmonar boa e não conseguem protetizar, isto é, se adaptar ao uso de próteses. “Esses pacientes ficam acamados ou em uma cadeira de rodas para o resto da vida. Aí, sim, ele tem uma sobrevida menor e uma possibilidade de qualidade de vida péssima. É muito triste a realidade desses pacientes”. Acrescentou que a maior diferença do paciente amputado jovem para o crônico é que este não costuma se adaptar rapidamente a uma prótese.

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Além de representar um grave problema de saúde pública, o crescimento constante no número de amputações no Brasil traz impactos negativos aos cofres públicos, consumindo parte das verbas em saúde destinadas aos estados. Somente em 2021, foram gastos R$ 62.271.535,96 em procedimentos realizados em todo o país. Entre janeiro de 2012 e março de 2022, considerando a inflação de cada ano, as despesas somaram R$ 660.021.572,69, com média nacional de R$ 2.685,08 por procedimento.

Recomendações

O cirurgião vascular titular da SBACV, Eliud Duarte Junior, coordenador nacional da Diretriz do Pé Diabético da Associação Médica Brasileira (AMB), afirmou que algumas medidas podem diminuir os riscos de complicações nos pés de pessoas diabéticas. Alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividade física, manter controle da glicemia contribuem para a melhora do sistema vascular como um todo. Duarte Junior recomendou algumas medidas simples que podem ajudar na prevenção do pé diabético, quando incorporadas à rotina.

Entre as medidas, estão:

– não fazer compressas frias, mornas, quentes ou geladas nem escalda pés porque, devido à falta de sensibilidade acarretada pela neuropatia, a pessoa pode não perceber lesões nos pés;

– usar meias sem costuras ou com as costuras para fora, para evitar o atrito da parte áspera do tecido com a pele;

– não remover cutículas das unhas dos pés, porque qualquer machucado, por menor que seja, pode ser uma porta de entrada para infecções;

– não usar sandálias com tiras entre os dedos;

– cortar as unhas retas e acertar os cantos com lixa de unha, mas com muito cuidado;

– hidratar os pés, porque pele ressecada favorece o surgimento de rachaduras e ferimentos;

– nunca andar descalço, porque pode não sentir que o chão está quente ou que cortou ou feriu o pé;

– examinar sempre as plantas dos pés e tratar logo qualquer arranhão, rachadura ou ferimento, recorrendo, se preciso, à ajuda de um familiar ou amigo;

– não usar sapatos apertados ou de bico fino; tratar calosidades com profissionais de saúde; olhar sempre o interior dos calçados antes de usá-los; e enxugar bem entre os dedos após o banho, piscina ou praia.

Exames

O presidente da sociedade brasileira sustentou que a ida precoce a um especialista por pacientes com doenças crônicas evita a mutilação. Afiançou que, para os médicos e suas equipes, isso é demonstração de insucesso.

“Faça seus exames regulares com um clínico geral e, ao menor sinal de descompensação com uma doença crônica como diabetes, hipertensão arterial, procure um angiologista ou cirurgião vascular, para que ele também possa orientar da melhor forma possível e evitar um desfecho tão trágico como uma mutilação. Isso não é ruim só para o paciente. Quando vou fazer uma amputação, eu e minha equipe ficamos mal. É uma demonstração de insucesso. É muito bom, por outro lado, quando a gente consegue salvar um membro. A gente odeia fazer uma amputação, mesmo que seja de um dedo. É muito ruim, e aquele paciente vai carregar aquilo para toda vida.”

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Saúde

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