THIAGO PACHECO

Nova alta de juros, isso acontece só aqui no Brasil?

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 Por Thiago Pacheco

Todos nós nos deparamos com mais uma subida da Selic, hoje registramos 12,75% ao ano. Assumimos a dianteira de maior taxa de juros real dentre as maiores economias do mundo, 6,69%, a calcular pela subtração da taxa de juros nominal pela projeção da inflação. Estamos em primeiro, seguidos de Colômbia (3,86%), México (3,59%), Indonésia (2,39%) e Chile (1,86%).

Mas isso acontece só por aqui??

Felizmente ou infelizmente não!!

No dia 04 deste mês, o FED (Federal Reserve), Banco Central da maior economia do planeta, aumento em 0,5 ponto percentual a taxa de juros americana, o segundo aumento no ano, movimento que busca a redução, ou ao menos neutralizar, a inflação por lá. Fato que registra o maior aumento taxa básica de juros dos EUA desde 2000.

E o que tudo isso pode nos impactar diretamente??

Além do aumento do nosso custo de vida, visto que as tomadas de crédito para custear os capitais de giro das empresas por aqui tende a aumentar significativamente, além de ser extremamente factível que haja uma evasão de investimentos em nosso país, já que, que pela máxima,todo investidor busca maiores rentabilidades com menores riscos, estamos observando que a economia mais estável do mundo “está pagando mais”. Visto o movimento de alta na taxa americana, naturalmente o real se desvalorizará frente ao dólar.

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Setores como mineração e agronegócios podem ser um dos principais segmentos a receber os respingos dessa debandada de recursos do país.

E falando de agro, se registrou nos últimos anos o seguimento que “puxou” positivamente os números de nossa economia, ser fortemente dependente de investimentos a longo prazo, com o aumento do custo de captação, além da não presença de investimentos, principalmente externos, não deve demorar a sentirmos um pouco mais nossos bolsos apertarem, reflexos de novas altas da inflação, sem nos estendermos a alta dos insumos, em foco a escassez mundial de importantes componentes originados na zona de conflito na região da Bielorrússia.

Vamos pensar na cadeia;

Agro = grãos, proteínas = energia, combustíveis, alimentação…

Tempos difíceis, importante pensarmos cada passo.

Thiago Pacheco é especialista  em finanças, controladoria e agronegócios, mais de 20 anos na indústria financeira, atuante em grandes Bancos com presença internacional, além dos maiores Players do agro. Professor, mentor para o mercado financeiro e de capitais.

 

 

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COLUNA ECONOMIA E NEGÓCIO

Qual a perspectiva que a Dívida Pública pode alcançar em 2022?

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Por Thiago Pacheco

A expectativa é de chegarmos ao fim de 2022 com a nossa Dívida Pública Federal (DPF) na ordem de R$ 6 trilhões a R$ 6,4 trilhões, volume bem expressivo frente ao que registramos ao final de 2021, um valor recorde, levemente acima de R$ 5,6 trilhões.

Segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF), o ano de 2021 poderia ter sido pior, na casa de R$ 5,9 trilhões, porém, devido à redução das incertezas relacionadas a pandemia, houve uma redução do limite para R$ 5,8 trilhões. Mesmo registrando um recorde, a dívida ainda se comportou abaixo do limite estabelecido.

Os senhores podem estar se perguntando, Pacheco, em março recuamos quase 3% do DPF, chegaremos mesmo assim à patamares superiores a R$ 6 trilhões?

De fato, nos comparativos entre o segundo e o terceiro meses de 2022, reduzimos a dívida em 2,89%, visto os fechamentos de fevereiro R$ 5,73 trilhões e março com R$ 6,564 trilhões. No entanto, muito ainda está por vir, falamos dos ICMS’s na semana passada, sem dúvidas será um grande agente para evolução da DPF, outro aspecto, que mesmo com o “retorno da normalidade do mercado”, ainda sofremos os reflexos da pandemia.

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Mas calma, óbvio que temos um ponto de extrema atenção, mas a redução da dívida se deu porque o Tesouro efetuou um resgate de R$ 204,31 bilhões em títulos a mais que emitiu no período, principalmente em papeis corrigidos pela Selic (juros básico da economia). Como o governo necessita reconhecer na dívida o proporcional de juros dos títulos, a estratégia de um resgate maior, sem sombra de dúvidas foi benéfico para manter a dívida sob rédeas curtas.

Pacheco, o governo emite títulos para financiar necessidades de caixa, isso não é perigoso, não há risco do país se superendividar e quebrar?

À grosso modo sim, porém, pelas premissas da gestão atual, o Tesouro Nacional tem dois mecanismos que garantem essa capacidade de financiamento, se por algum modo o governo não consiga emitir títulos no mercado, e não puder buscar investidores em decorrência de crise, atualmente o governo detém reservas internacionais suficientes para saldar toda dívida pública externa de 2022, além de uma boa “poupança” de aproximadamente R$ 1,2 trilhões, que é capaz de cobrir 9 meses da dívida interna.

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Para finalizar, com as altas de juros e inflação (indexadores utilizados na remuneração dos títulos públicos), já se nota osmovimentos de redução na emissão de títulos pré-fixados, estratégia natural, aumentar os pós-fixados para atrair mais investidores, outro aspecto, segundo o PAF, novos títulos são emitidos com prazos mais dilatados para diminuir a pressão no caixa do governo.

Thiago Pacheco é Especialista em Finanças, controladoria e Agronegócios, mais de 20 anos de indústria financeira, atuante de em grandes Bancos com presença internacional, além dos maiores Players do agro. Professor, mentor para o mercado financeiro e de capitais.

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